PSICOLOGIA DA MODA

Objetificação: Seja sempre linda pro seu esposo…

Quem ai já escutou a frase: “quando casar, seja sempre linda pro seu esposo não te trocar por outra”? Algumas semanas atrás conversei sobre esse tema polêmico no meu instagram. Dei uma polemizada e como já era esperado várias mulheres disseram já ter escutado essa frase, principalmente após a maternidade.

Após a repercussão decidir criar um post sobre o assunto, tendo em vista que essa frase em especial tem muito haver com a psicologia da moda, uma vez que no processo de desenvolvimento da imagem, ao trabalhar as questões internas identificamos várias autoregras interligadas ao patriacado presente na nossa sociedade e a objetificação do corpo da mulher. 

Machismo estrutural 

Machismo

Vivemos em uma sociedade patriarcal, ou seja, a figura do homem/pai é colocada em superioridade. O machismo é exatamente a superioridade do homem em relação as mulheres. Sabemos que tudo isso é parte de um processo histórico, que foi aprendido em um determinado momento e ainda hoje vem sendo perpetuado.

De uma maneira bem simples, mas para ilustrar esse patriarcado introjedo pela sociedade, podemos pensar no papel que a  mulher ocupou durante anos: responsável por cuidar da casa, dos filhos e da satisfação sexual do seu marido. Ou seja, homem como provedor e a mulher como sua dependente.

Sabemos que isso mudou, e que hoje as mulheres ocupam o mercado de trabalho assim como os homens. No entanto, muitas de acordo com várias pesquisas, ocupam uma jornada dupla de trabalho, chegando a trabalhar em média 10 horas a mais do que os homens durante a semana nos afazeres domésticos. 

Essa desigualdade interfere diretamente na ascensão profissional, pois as mulheres acabam tendo menos tempo para dedicar-se cem por cento a vida profissional. 

Esteriótipos

Objetificação

Um dos pilares que sustentam o machismo é o esteriótipo do que é feminino e do que é masculino, ou seja, o que cada um deve ser em função do seu genêro. Não entrarei em detalhes, pois nesse momento o foco não é a distinção entre sexo e gênero, mas quem tiver interesse em compreender um pouco mais, indico o texto: https://www.politize.com.br/o-que-e-machismo/

O importante aqui é compreender que esses esteriótipos não correspondem a uma predisposição biológica, mas sim a um condicionamento social. E o machismo “estrutural é justamente isso”, um condicionamento na forma de pensar e agir mediante a cada gênero. Aprendemos desde cedo com nossas representações parentais a como agir ou não agir mediante ao genêro. E assim perpetuamos a longos séculos esse machismo que vem sendo colocado em questão pelo movimento feminista. 

Dessa forma, quando escutamos do nosso pai, mãe, avós ou tias, pessoas próximas ou até distantes, que devemos nos cuidar, tomar cuidado para “não engordarmos” após a maternidade, pois isso pode abrir espaço para o homem buscar outra mulher, estamos sendo cobradas a partir de uma ideia machista, pois os homens não são cobrados da mesma forma. É uma forma de culpar a mulher pela atitude de traição do marido, ou parceiro… E assim muitas mulheres adoecem, entram em sofrimento e se sentem culpadas… 

Vale ressaltar que muitas vezes essas colocações machistas, são mencionadas como se fossem engraçadas, como na famosa frase: “Cuidado, mulher no volante, perigo…”, Mas por trás têm sempre um cunho machista que em algum momento foi aprendido e repassado. 

Objetificação da Mulher

objetificação

Segundo BELMIRO et al (2015):

“A objetificação, termo cunhado no início dos anos 70, consiste em analisar um indivíduo a nível de objeto, sem considerar seu emocional ou psicológico.”

Dessa forma quando falamos da objetificação do corpo feminino, estamos nos referindo á um olhar banalizado da imagem da mulher, ou seja, sua aparência importa mais do que todos os outros aspectos que a definem como sujeito. Essa objetificação está diretamente ligada a função do corpo da mulher enquanto mero objeto de prazer masculino. 

Nos dias atuais presenciamos essa objetificação de forma muito clara e a situação exposta acima é um grande exemplo. Mas podemos pensar em outras situações, tais como nas publicidades de cervejas, na qual mulheres são estereotipadas e hipersexualizadas, na relação de alguns casais na qual o homem cobra da mulher o tempo todo um corpo perfeito, “cuidado que você vai engordar comendo isso ou aquilo”…   Se você engordar eu te troco por outra mais nova e durinha”… 

Certa vez estava num restaurante e presenciei uma cena que jamais esquecerei. Estava uma família: Pai, mãe, um filho de mais ou menos 7 anos e um bebezinho que estava nos braços da mãe. Era um restaurante em frente a uma praia. O pai dizia ao filho: “Olha filho que pedaço de mal caminho”, se referindo a uma mulher que passava de biquini, e dava risada com a criança.

Em seguida a criança respondeu: É mesmo papai, não é “gorda” igual a mamãe”. Como mulher me deu um nó na garganta, por dois motivos: Primeiro porque pude perceber a desmoralização que essa mãe/mulher acabará de passar, era nítido a sua expressão de tristeza. Segundo porque o pai estava perpetuando o que aprendeu e ensinando o seu filho ser igual (machismo estrutural e objetificação do corpo feminino). 

Problemas advindos da objetificação

machismo

Um dos maiores problemas dessa objetificação é justamente a esteriotipação do corpo das mulheres, na qual, se você não faz parte de um padrão estético irreal e alcançável somente por uma pequena parte da sociedade, você acaba sendo hostilizada pelo seu peso, altura, cabelo etc. O que gera sofrimento e adoecimento a nível mental e fisíco quando pensamos em doenças associadas a transtornos alimentares, que como sabemos em um nível elevado oferece risco a vida da pessoa. 

Conclusão

objetificação da mulher

Para finalizar, preciso deixar claro que não estou aqui para fazer uma critíca vazia, ou para culpar pai, mãe ou figuras parentais. Não julgo ninguém, pois somos frutos do que aprendemos ser. No entanto, todos podemos aprender e mudar. Nós mulheres quando se trata de machismo e objetificação, temos o dever de ensinar umas as outras, nossos maridos ou companheiros e representações masculinas a compreenderem que tanto o machismo quanto essa objetificação do corpo da mulher, não tem mais espaço na nossa sociedade. 

Temos que estabelecer relações de respeito mútuo com os nossos companheiros e ensinarmos aos nosso filhos como estalecer essas relações. Esse é o  caminho para termos futuras gerações de mulheres saudaveis emocionalmente. Mulheres capazes de perceber o seu valor próprio para além da imagem física, com boa autoestima e capazes de demonstrar suas  reais potencialidades de forma autentica. 

Espero que esse post faça você refletir… Pois essas reflexões são importantes e nos fazem des-construir muito do que somos e re-construir novas formas de ser,  pensar e agir mais saúdaveis e funcionais. 

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