PSICOLOGIA DA MODA

Padrão de beleza atual

Afinal de contas, qual é o padrão de beleza atual? Como ele se forma? Como as mulheres se sentem com esse padrão? De que maneira a industria de moda o ultiliza em suas representações de moda? Essas e várias outras questões que giram em torno do “ideal de beleza”, serão discutidos nesse post. 

Qual o padrão de beleza atual?

padrão de beleza
Fonte: pixabay

Acredito que não seja novidade para ninguém que o padrão de beleza feminino da contemporaneidade, é o de uma mulher extremamente magra, manequim 34 ou 36 e o masculino está cada vez mais atrelado a imagem de um homem musculoso e sarado. Nesse texto, me prenderei ao feminino. 

O “belo” na sociedade atual é avaliado simbólicamente, como sinônimo de força, inteligência, simpátia, equilíbrio emocional, dentre outros adjetivos positivos. Já existem relatórios que demonstram um crescente nível de insatisfação corporal associados com o aumento do uso das mídias sociais, culto a celebridades, tendências econômicas e sociais e uma cultura que valoriza cada vez mais a “jovialidade”. No entanto, como veremos a seguir a mídia embora tenha sua parcela de culpa em relação a insatisfação corporal, não é a única vilã nessa história. 

“O padrão estético de beleza atual, perseguido pelas mulheres, é representado imageticamente pelas modelos esquálidas das passarelas e páginas de revistas segmentadas, por vezes longe de representar saúde, mas que sugerem satisfação e realização pessoal e, principalmente, aludem à eterna juventude” (BOHM, 2004, p.19).

De que forma o Padrão de beleza é constituído?

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Fonte: Google

A beleza sempre foi considerada importante na sociedade, e o ideal de beleza muda constantemente, sofrendo influência dos processos históricos, das mudanças sociais e da cultura, então o que era bonito na época das nossas avós e bizavós, não é mais sinônimo de “belo” nos dias atuais. 

Após a segunda guerra mundial, a mulher começou a ocupar um lugar diferente na sociedade, um lugar de ação e voz. A mulher moderna não deixou de lado as responsabilidades anteriores, como cuidar da casa, dos filhos, ser esposa, mas, aliado a tudo isso ela entrou no mercado de trabalho.

Elas possuem uma jornada tripla e vem alcançando conquistas constantes e quebra de tabus diários. Concomitante a tudo isso, ela sofre pressões internas e externas para atingir o tal do “ideal de beleza”, que é irreal e impossível de ser alcançado pela  maior parte das mulheres. E aqui, não quero que pensem que é impossível atingir esse padrão devido a jornada intensa que a mulher possui, mas sim, em função das diferenças corporais fisícas e biológicas. 

A industria da moda, reforça e normaliza esse padrão de corpo magro, através da representação de modelos muito mais magras do quê a população de modo geral, e isso irá refletir na representação corporal dessas mulheres.

De acordo com a feminista Naomi Wolf, esse ideal de beleza é um mito, irreal e impossível de ser alcançado. A grande pergunta a se fazer é: Como essas representações, essa exposição constante há essas figuras de imagem de moda, poder causar sofrimento e até mesmo adoecimento nas pessoas?

Representação Corporal e comparação

padrão de beleza

Esse ideal irrealista de corpo é onipresente, e devido a isso ele se torna a norma com a qual nos comparamos e fazemos julgamentos a cerca do nosso prórpio corpo. 

A imagem corporal pode ser entendida como a forma com que uma pessoa percebe o seu próprio corpo. Essa percepção é um produto de exposições pessoais, tendo haver com sua história de vida, formação da sua personalidade e sofrendo interferências sociais e culturais. Assim, sendo, se trata da percepação a cerca da sua própria aparência e também das sensações que essa percepção pode causar, envolvendo dessa forma, componentes cognitivos e emocionais. 

É justamente aqui, meio a essa comparação e percepção do próprio corpo que muitas mulheres acabam adoecendo. Claro que nem todas as mulheres que estão em contato diário com esse padrão físico imposto pelas mídias adoecem, pois, não é somente as redes sociais, revistas de moda, filmes e novelas, que são os grandes vilões.

A questão da constituição do Eu dessas mulheres conta muito, ou seja, têm um peso super relevante a forma com que uma pessoa aprendeu ao longo dos seus ciclos vitais a introjetar essa imagem e a olhar para o seu próprio corpo. 

Portanto, a comparação pode ser saudavél, pois é do ser humano se comparar e nos comparamos porque desejamos ser amados, estabelecer vínculos e ser aceitos, mas, pode ser também adoecedora, quando nos frustramos por tentarmos ser algo que nossa constituição biólogica não nos permite, mas que o famoso padrão irreal, nos impõe como possibilidade única. A interpretação desse padrão para as mulheres que acabam desenvolvendo algum transtorno emocional é “ou você se encaixa, ou está fora, não será amada”. 

Transtornos alimentares e dismórfico 

Antes de esplanar de forma breve sobre transtornos alimentares e dismórfico, preciso falar sobre imagem corporal distorcida, essa pode ser entendida como uma percepção distorcida do próprio corpo em relação ao tamanho ou formato. Essa distorção começa a aparecer quando percebemos uma incongruência em relação ao padrão de beleza imposto com o qual nos comparamos. 

Estudos mostram que o desenvolvimento de uma estima corporal negativa, pode começar na infância, através das relações que foram estabelecidas com colegas e figuras parentais. 

Em busca desse corpo tido como o “perfeito”, muitas mulheres acabam entrando em dietas muito restritas, fazendo atividade fisica de forma exagerada, realizando uma série de intervenções cirurgicas e estéticas e se sentindo sempre insatisfeitas com a sua imagem, pois, a questão aqui é emocional, psicológica e não importa quantas intervenções sejam realizadas, a pessoa continurá com uma estima corporal negativa. 

Transtorno Dismórfico

O Transtorno dismórfico corporal pode ser entendido como a preocupação exagerada com um pequeno defeito ou com algo imaginado. Assim sendo, a pessoa se prende aquele suposto defeito e pode passar horas do seu dia tentando corrigi-lo. Indivíduos com esse transtorno costuma examinar sua aparência no espelho com frequência e compará-la constantemente com a de outras pessoas e evitar situações sociais ou fotos. 

Transtornos alimentares

transtornos alimentares

Aqui, não entrarei em detalhes, pois não é esse o objtetivo do post, mas irei mencionar os transtornos alimentares mais recorrentes. 

A anorexia é um transtorno alimentar  que muitas vezes se inícia na infância ou na adolescência. É caracterizado pela recusa do indivíduo em manter um peso mínimo esperado para sua idade e altura. Assim, a pessoa diminui de maneira drástica sua dieta alimentar e mesmo emagrecendo muito, continua se vendo acima do peso e com gordura em partes especificas do corpo.

Dessa forma,  auto-estima dessas pessoas, está relacionada à forma corporal e ao peso. Assim sendo, a perda de peso é entendida como uma conquista e autodisciplina, por outro lado, o ganho de peso é considerado um fracasso do autocontrole.

Bulimia nervosa raramente acontece antes dos 12 anos e é caracterizada inicialmente por um episódio de compulsão alimentar. Após a ingestão de um número alto de calorias, a pessoa inícia o ciclo da purgação, onde por medo de engordar, ou por desconforto abdominal devido a quantidade de comida ingerida a pessoa recorre ao vomito ou ao uso inadequado (sem prescrição médica) de medicamentos do tipo laxativo, de diuréticos, de hormônios tireoidianos, de agentes anorexígenos e de enemas.

Jejuns exagerados e exercícios físicos excessivos também são formas de controle do peso, mas normalmente geram menos complicações clínicas do que as técnicas purgativas descritas anteriormente. 

Existe outros tipos de transtornos alimentares, no entanto não discorrerei sobre os mesmo, pois o objetivo aqui é mostrar que existem adoecimentos sérios, que podem inclusive levar a morte se não forem bem assistidos e tratados, e esses adoecimentos são reflexos de uma sociedade adoecida em busca desse “padrão de beleza irreal” e pela falta de “representações reais”.

Sinais de que a preocupação com o corpo não está no  nível saudável

Se a sua preocupação com seu corpo, com a sua imagem corporal está impactando de forma negativa nas suas funções diárias, tais como no trabalho, na vida pessoal e social, significa que essa preocupação está num nível elevado e merece atenção e cuidados. Como disse anteriormente, é do ser humano se comparar, mas qual está sendo a resultante dessa comparação? Nos comparamos porque queremos ser aceitos, pertencer a determinados grupos, mas é importante termos em mente que NUNCA vamos conseguir agradar todo mundo, e está tudo bem. 

A autora Bene Brown fala que é muito perigoso ter nossos valores atrelados unicamente a nossa imagem pessoal. Dessa forma, é importante saber que existem outros valores que vão além do físico, e outras fontes de amor e autoestima que vão além do que reflete no espelho.

Portanto mulheres, fiquem atentas ao grau de autoobjetivação, (objetivação – corpo para o uso e consumo do outro), pois, quanto mais elevado, maiores problemas terão com aceitação, baixa estima, multilação, dentre outros. Não tenha vergonha de buscar ajuda e se tornar livre para ser quem você deseja ser e alcançar suas metas de vida de forma libertadora. 

Referências: 

BOHM, Camila Camacho. Um peso, uma medida. O padrão de beleza feminina apresentado por três revistas brasileiras. São Paulo: Uniban, 2004. 100p.

BROW, Bere. A coragem de ser imperfeito. Sextante, 2016. 

MAIR, Carolyn. The Psychology of Fashion. Ed. Routledge. 2018.

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