ESTILO PESSOAL

Psicologia da moda: De que forma, você é percebido(a) pela roupa que veste?

Roupa
Imagem de Pexels por Pixabay

No post “Psicologia e moda: Uma relação possível” https://autoimagempositiva.com/?p=165, falo sobre o vestir e sua relação com os processos mentais. Hoje irei mostrar para vocês de que maneira somos percebidos a partir da roupa que vestimos. 

Para iniciar preciso deixar claro que a forma com a qual nos percebemos e também a forma como somos percebido através da nossa imagem pessoal, são simbologias, dessa forma, nem sempre a leitura do outro em relação a imagem que você transmite a partir da sua imagem pessoal é real. 

Para ilustrar o que acabei de mencionar no tópico anterior, usarei um momento da minha vida. Quando estava no primeiro período da faculdade de psicologia, não conhecia ninguém da turma e eles também não me conheciam, era um grupo novo. Uma das minhas amigas de grupo de trabalho, que me acompanhou até o final do curso, um belo dia, já no segundo período se não me falha a memória, me disse: “Lu quando vi você a primeira vez, tive a idéia de que você era uma pessoa metida”. Tomei um mega susto e perguntei o por quê? Então ela me disse: “Você no primeiro dia de aula, estava com a roupa tal, bem arrumada e me passou essa imagem”. Vale ressaltar, que após a faculdade eu ia para o trabalho, mas naquele momento inicial, ela não sabia disso. 

Essa imagem que ela teve foi totalmente focada na minha vestimenta, e com o tempo, ela viu que eu não era aquela pessoa que ela tinha desenhado mentalmente no primeiro dia de aula, a partir da minha roupa. Foram 5 anos de curso, tempo suficente para ela me conhecer melhor e enteder que eu era bem diferente. 

A roupa é um Reflexo de quem somos

 Roupa

A roupa é realmente um extensão de quem somos. O que vestimos fala muito sobre nós e vai muito além do superficial. A moda é um fenômeno social, historico e cultural em constante transformação. Muitas pessoas dizem não se importar com o que vestem, pois isso é supérfluo. Vejo isso como um mecanismo de defesa, pois se fosse real, andariamos vestidos num saco de batata e não é o que se vê. A partir do momento que as necessidades básica são supridas, a pessoa vai em busca do i-material, como vestir-se da forma x ou Y, comprar um carro vermelho ou prata, etc. 

Roupas carregam consigo simbologias e tem um papel enorme em como somos percebidos e em como nos percebemos. Está diretamente ligado a construção da nossa identidade, prova disso, é que, se pensarmos numa roupa que usávamos na nossa adolescência, provavelmente não a usamos mais. Isso ocorre porque da mesma forma que nós mudamos todos os dias, a imagem que emitimos para o mundo, o nosso estilo próprio, também muda. Imagine você usando uma roupa que não gosta, mas precisa usá-la porquê ganhou de presente do seu namorado e não teve coragem de dizer que não gostou. Como se sente? Esse é mais um exemplo de como a moda e a subjetividade andam de mãos dadas. 

As simbologias que as roupas carregam falam muito sobre nós e justamente por isso, que quando você veste algo para agradar alguém e não o que você realmente gosta, quando há uma incongruência, você se sente mal, pois afeta diretamente a sua confiança, auto estima, ou seja, afeta suas emoções. 

Exatamente por isso é importante se conhecer e usar aquilo que te faz sentir bem, pois dessa forma, você se sentirá confiante, preparada e com sensações positivas ao seu respeito. Consequentemente, focará sua atenção e energia no que realmente importa. Por isso é importante provar a roupa antes de comprá-la. É importante sentir as emoções que ela lhe transmite. Para compreender um pouco mais o que estou dizendo, discorrerei de maneira breve sobre cognição indumentária. 

O que é Cognição Indumentária?

cognição indumentária
Imagem de donterase por Pixabay

Nossa imagem pessoal inflluencia nossos processos cognitivos e psicológicos. “Isso acontece porque as roupas que vestimos, desde que estejam no nosso corpo, são incorporadas pela nossa mente juntamente com o significado que damos a elas. Em outras palavras se você acha que pessoas inteligentes e importantes usam terno. E se você começar a usar, sistematicamente, ternos, a sua mente vai incorporar esse significado a sua construção de eu (quem você acredita ser)”. http://reformavisual.com/autoestima Esse processo de incorporação que tanto falo é justamente o que chamamos de cognição indumentária, ou seja, a influência sistemática que as roupas exercem sobre os processos psicologicos de quem as vestem. A cognição indumentária, envolve a co-ocorrência de dois fatores independentes: o significado simbólico das roupas e a experiência física de usá-las. (GALINSKY, Adam D.; ADAM, Hajo. Enclothed Cognition. In: Journal of Experimental Social Psychology, n.48,p.918-925, 2012). 

Conclusão

Agora que entendemos que a experiência de vestir, causa nas pessoas incorporação das roupas junto com os seus significados simbólicos, fica mais fácil compreender que a roupa para ser corporificada precisa está na sua pele e as sensações observadas, são diferentes de uma pessoa para outra, uma vez que estamos tratando de simbologias. 

Dessa forma, a maneira que você é percebido através do que você veste, também têm ligação com os sentimentos internos que você têm ao colocar uma determinada peça de roupa no seu corpo. Pois transmitimos essas emoções a partir do que usamos. Então se você esta se sentindo feia, muito pelada com a roupa que ganhou do seu namorado, suas emoções internas serão ruins, e consequentemente você emitirá comportamentos de insegurança, insatisfação, dentre outros. Você pode ser a pessoa mais segura desse mundo, mas nesse momento, não estará comunicando isso. Portanto, NÃO saia de casa, sem ter certeza que esta confortável com o que está usando. 

Lembra quando mencionei lá em cima, que o outro também faz essa leitura a partir das nossas vestimentas? A forma que o outro nos enxerga também é simbólico, e tem haver com sua constituição de Eu, dessa forma, nem sempre diz quem realmete você é. Porém, os comportamentos que você emitirá, quando estiver se sentindo mal com sua vestimenta, será validada pelas pessoas a sua volta como algo paupável. E como resolver esse enigma em situações no qual as pessoas não lhe conhecem e pode ter uma imagem distorcida de quem realmente você é? Em uma entrevista de emprego, por exemplo? Essa resposta vai ficar pro próximo post. Mas prometo que ele saíra em breve! 

 

 

 

 

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